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A gotinha - poesia de Flávio Fabeni
19 de setembro de 2008
Levantei cedo e ouvi no mato
a seriema, o cuco, o sabiá, o pato
e vi a relva toda umedecida
e bem de perto quase que escondida,
uma gotinha pronta pra pular.
Despenca... e, logo após esse momento,
vai se formando, quase ao mesmo tempo,
dum fiozinho d'água, uma nova gotinha,
no começo magra, mas depois gordinha
e essa atrevida toma o seu lugar.
Ela se arruma, ensaia o salto,
mas diz - Meu Deus aqui é muito alto!
Eu vou ficar olhando a paisagem;
não pulo, enquanto não tiver coragem
e não me empurra, que eu não dou lugar.
Eu vou ficar aqui mais um tiquinho
e engordar até não me agüentar
e aí quem sabe seca o fiozinho
e aqui em cima então possa ficar.
Espera ai...e se eu também secar...
Aí, pensando sobre o seu futuro,
bateu o vento e a foi levando...
Desesperada, disse adeus à vida,
mas vê que sorte teve essa atrevida:
caiu na moça que estava passando.