O melhor amigo do Brasil - poesia de Flávio Fabeni
                                      
16 de setembro de 2008

Que saudade lá de casa,
da patroa e do filhão,
que deve ter crescido um pouco mais,
longe da minha atenção!
A saudade é dor pungente,
machuca a gente bem no coração,
essa direção que abraço,
forma meu laço com o caminhão.

Tantas noites nas estradas
vendo a lua e seu clarão
e nas banguelas dessas noites
vamos eu e o caminhão.
Essa vida não é fácil
mas eu não arredo mão,
essa direção que abraço,
forma meu laço com o caminhão.

Eu nasci bem lá no mato,
nas estradas me criei,
desconheço a vadiagem,
toda a vida trabalhei;
foi com muito sacrifício
que comprei esse bichão,
essa direção que abraço,
forma meu laço com o caminhão.

Toda vez que chego em casa
é como a primeira vez,
há dois anjos me esperando,
um deles a gente fez;
minha casa é o meu abrigo,
é meu ninho, meu torrão,
minha gente, estou chegando
e trago junto o meu caminhão.

Sou estradeiro, caminhoneiro,
sob este é céu de anil,
sou bandeirante, sou pioneiro,
o melhor amigo do Brasil.